A realidade não consta com o real.
O plausível desconhece o óbvio
Tudo é diferente nesse mundo estranho. Estranho e constrangedor,
Cujas paredes escuras e frias nos levam a um fim desconhecido e indefinido.
Das bocas malditas sai o fel do passado.
Dos passos incrédulos a dúvida da chegada.
Todos os olhos soltos se perdem fitando uma mesma direção.
O fim do mundo é desejado rotineiramente.
Mas todos os dias o sol vem queimar as nossas peles marcadas.
Sim, a crueldade da mente é extrema!
Maltrata toda a consciência, todo o mecanismo.
toda a existência.
Como ainda se cria um mundo assim?
Por que as pessoas ainda insistem em querer resistir?
Por que não morremos todos?
Por que não estendermos as mãos em preces e prostar-nos
diante de toda a destruição?
Existe ainda amor?
Por que tudo então pode ser mais importante do que este?
Por que todos os nossos valores sobrepujam os nossos sentimentos?
E os olhos secos ainda olham em volta
Em busca da palavra esperançosa...
O que falta ainda acontecer para que todos nós,
nos demos por vencidos e cansados?
Qual será a boa notícia, que não sei de onde vem e enxarca todo dia
nosso desespero em renovada fé no amanhã?
Como será que as lágrimas não se esgotam e se refazem desse jeito?
Por que todo o ranger de dentes no frio...
Que friiiio! E está fazendo 40 graus.
Como será que vai terminar?
Por que continua?
Existe ainda uma saída?!
Acho que a saída é Deus, e acho que esse Deus é tudo o que temos....